Resultado da pesquisa (2)

Termo utilizado na pesquisa Kommers GD

#1 - Infectious diseases in wild and exotic birds in Paraíba State, Northeast Brazil

Abstract in English:

Wild and exotic birds play a pivotal role in the zoonotic transmission of various infectious diseases. As reservoirs for a diverse array of infectious agents, their interaction with domestic animals can facilitate the spread of diseases, emphasizing their importance in certain disease cycles. This study describes the occurrence of infectious diseases diagnosed in Paraíba from 2013 to 2018. Out of 189 wild birds necropsied, 50 (26.45%) had infectious diseases. Bacterial infections were the most prevalent, accounting for 38 (76%) cases, followed by fungi, with 10 (20%) affected birds, and lastly, protozoa with two (4%) cases. The most affected species included the blue-fronted amazon parrot (Amazona aestiva), red-shouldered macaw (Diopsittaca nobilis), Harris’s hawk (Parabuteo unicinctus), and saffron finch (Sicalis flaveola), respectively. The predominance of bacterial diseases was often associated with secondary infections resulting from debilitating conditions such as trauma or bronchoaspiration. Chronic aspergillosis emerged as the primary fungal disease, observed in various tissues and often linked to management failures and stress. Other fungal infections were predominantly suggestive of Candida sp. The presence of protozoa was limited to Sarcocystis sp. infections in two birds with no clinical signs, but they were responsible for the death of the birds. This survey reinforces the significance of bacterial, fungal and protozoan pathogens in wild birds and highlights the need for accurate diagnostic descriptions in these species. Accordingly, the birds in this survey are considered susceptible to the infections detailed herein.

Abstract in Portuguese:

As aves silvestres e exóticas são responsáveis pelo ciclo zoonótico de diversas doenças infecciosas. As aves silvestres por sua vez, tem o papel de reservatório dos mais variados agentes infecciosos na natureza e, quando em contato com animais domésticos ou humanos, podem disseminar a enfermidade, se tornando fundamental no ciclo de algumas doenças. No presente estudo descrevem-se os casos de doenças infecciosas diagnosticadas na Paraíba de 2013 a 2018. De um total de 189 amostras de tecido de necropsia coletadas em aves silvestres e exóticas, 50 (26,45%) corresponderam a casos de doenças infecciosas. Das doenças infecciosas, as de etiologia bacteriana foram as mais prevalentes, representando 38 (76%) casos, seguidas dos fungos com 10 (20%) aves afetadas e por último dos protozoários com dois (4%) casos. As espécies mais afetadas foram papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva), maracanã-nobre (Diopsittaca nobilis), gavião-asa-de-telha (Parabuteo unicinctus) e canário-da-terra-verdadeiro (Sicalis flaveola), respectivamente. A ocorrência maior de doenças bacterianas decorre de os casos apresentarem-se como uma doença secundária a um quadro debilitante, como, por exemplo, traumas e aspiração de conteúdo para o trato respiratório. Por vezes não foi possível uma classificação de gênero e espécie dos agentes patogênicos envolvidos. A aspergilose crônica destacou-se como a principal doença micótica e foi observada em diversos tecidos, representando uma condição primária ou secundária e, na maioria das vezes, associada a falhas de manejo e estresse. Os demais fungos foram representados por leveduras sugestivas de Candida sp. A presença de protozoários foi limitada à infecção por Sarcocystis sp. em tecidos de duas aves, sem manifestação clínica, porém foram responsáveis pela morte das aves. Este levantamento reforça a importância dos patógenos bacterianos, fúngicos e protozoários causadores de doenças em aves selvagens, bem como a descrição de diagnóstico nessas espécies. Nesse sentido, as aves desse levantamento podem ser consideradas susceptíveis às infecções descritas no presente trabalho.


#2 - Histiocytic sarcoma in dogs: epidemiology, anatomopathology, and immunohistochemistry

Abstract in English:

Histiocytic sarcomas have been described in veterinary medicine since 1980, but studies on the subject are still scarce. Based on this, the objective of this article is to describe the epidemiological, anatomopathological and immunohistochemical aspects of histiocytic sarcoma in dogs submitted to necropsy in a diagnostic service covering the midwestern region of Rio Grande do Sul State, Brazil. From 2007 to 2021, 4,310 dogs were necropsied, of which 598 died or were euthanized due to some type of cancer. At least 18 cases of histiocytic sarcoma were diagnosed, i.e., 3% of cancer deaths and 0.4% of total deaths. The criterion used to establish the definitive diagnosis and inclusion in the study was an interaction between characteristic histopathology and positive immunostaining for CD204. Almost all (17/18, 94.4%) of these patients were of a defined breed and were large, with the vast majority (14/18, 77.8%) being Rottweiler. There was a predominance of disseminated histiocytic sarcoma (15/18, 83.3%) affecting several organs, while 10 (66.7%) affecting the lungs, liver, spleen and lymph nodes were affected concomitantly. Of the few cases (3/18, 16.7%) diagnosed as localized histiocytic sarcoma, where lungs were affected. Five different presentation patterns were observed macroscopically, not mutually exclusive: multinodular, massive, diffuse, peribronchiolar, and placoid. The most affected organs were the lungs (17/18, 94.4%), lymph nodes (15/18, 83.3%), liver (13/18, 72.2%), spleen (12/18, 66.7%), kidneys (6/15, 60%) and heart (6/15, 40%). Other less affected organs included adrenals (4/15, 26.7%), skeletal muscle (diaphragm) (4/15, 26.7%), bones (2/15, 13.3%), pancreas (2/15, 13.3%), pericardial sac (2/15, 13.3%), joint (1/15, 6.7%), omentum (1/15, 6.7%) and parietal pleura (1/15, 6.7%). Histologically, histiocytic sarcoma was characterized by a non-delimited, mantle-shaped proliferation with a scant stroma of round cells, many markedly anaplastic, often giving the tumor a rather pleomorphic appearance. A hallmark was the occurrence of a variable, but often high, number of mono, bi and multinucleated giant cells (30-100 µm in diameter), which always had large nuclei (karyomegaly) formed by loose chromatin and with nucleoli almost always multiple and conspicuous. Although there are peculiarities in the neoplastic involvement in each affected organ, in general, this proliferation tends to obscure the affected parenchyma and often invades and obliterates lymphatic and blood vessels. About 90% of neoplastic cells, including the most anaplastic and many of the multinucleated ones, immunostained strongly for CD204 and MHC-II but not for CD11d, confirming that they were histiocytes, other than splenic/bone marrow macrophages. It is hoped that this information will contribute to a better characterization of histiocytic sarcoma in the canine species and may help veterinary pathologists in their diagnostic routines.

Abstract in Portuguese:

Os sarcomas histiocíticos têm sido descritos na medicina veterinária desde meados de 1980, mas os estudos sobre o tema ainda são escassos. Com base nisso, o objetivo deste artigo foi determinar os aspectos epidemiológicos, anatomopatológicos e imuno-histoquímicos do sarcoma histiocítico em cães submetidos à necropsia em um serviço de diagnóstico que abrange a região centro-oeste do Rio Grande do Sul, Brasil. Entre os anos de 2007 e 2021 foram necropsiados 4.310 cães, dos quais 598 morreram ou foram submetidos à eutanásia devido a algum tipo de câncer. Pelo menos 18 casos de sarcoma histiocítico foram diagnosticados, ou seja, 3% das mortes por câncer e 0,4% das mortes totais. O critério utilizado para estabelecer o diagnóstico definitivo e inclusão no estudo foi uma interação entre a histopatologia característica e a imunomarcação positiva para CD204. Quase a totalidade (17/18; 94,4%) desses pacientes tinha raça definida e era de porte grande, sendo a grande maioria (14/18; 77,8%) da raça Rottweiler. A maior parte dos casos (15/18; 83,3%) eram sarcomas histiocíticos disseminados, sendo que em 10 (66,7%), os pulmões, o fígado, o baço e os linfonodos foram acometidos concomitantemente. Dos poucos casos (3/18; 16,7%) diagnosticados como sarcoma histiocítico localizado, os pulmões foram sempre afetados. Macroscopicamente foram observados cinco padrões de apresentação, não mutualmente excludentes, a saber: multinodular, massivo, difuso, peribronquiolar e placoide. Os órgãos mais afetados foram: pulmões (17/18; 94,4%), linfonodos (15/18; 83,3%), fígado (13/18; 72,2%), baço (12/18; 66,7%), rins (6/15; 60%) e coração (6/15; 40%). Outros órgãos menos afetados incluíram: adrenais (4/15; 26,7%), músculo esquelético (diafragma) (4/15; 26,7%), ossos (2/15; 13,3%), pâncreas (2/15; 13,3%), saco pericárdico (2/15; 13,3%), articulação (1/15; 6,7%), omento (1/15; 6,7%) e pleura parietal (1/15; 6,7%). Histologicamente, o diagnóstico do sarcoma histiocítico sempre foi suspeitado pela presença de um tumor de células redondas ou fusiformes, marcadamente anaplásico e pleomórfico, rico em células gigantes mononucleadas e frequentemente associado à presença de variável quantidade de células gigantes (com 30-100 µm de diâmetro) mono, bi e multinucleadas, as quais sempre possuíam grandes núcleos (cariomegalia) formados por cromatina frouxa e com nucléolos quase sempre múltiplos e conspícuos. Apesar de em cada órgão afetado haver peculiaridades no acometimento neoplásico, no geral essa proliferação tendia a obscurecer o parênquima afetado e frequentemente invadir e obliterar vasos linfáticos e sanguíneos. A maior parte das células neoplásicas (cerca de 90%), incluindo as mais anaplásicas e muitas das multinucleadas, imunomarcaram fortemente para CD204 e MHC-II, mas não para CD11d, confirmando tratar-se de histiócitos outros que não macrófagos esplênicos/medulares ósseos. Espera-se que essas informações contribuam para uma melhor caracterização do sarcoma histiocítico na espécie canina e que possam auxiliar patologistas veterinários em suas rotinas diagnósticas.


Colégio Brasileiro de Patologia Animal SciELO Brasil CAPES CNPQ UFRRJ CFMV