Resultado da pesquisa (2)

Termo utilizado na pesquisa Mortalidade neonatal

#1 - Outbreak of neonatal mortality in beef cattle associated with Ateleia glazioveana (Leg. Papilionoideae) poisoning in southern Brazil

Abstract in English:

Ateleia glazioveana (Leg. Papilionoideae) is a cardiotoxic plant widely distributed in southern Brazil, where sporadic outbreaks of poisoning in cattle have been reported. Although neonatal mortality is a described clinical outcome in cattle, detailed epidemiological data and lesions associated with this form of intoxication remain scarce. This study reports an outbreak of neonatal mortality in a beef cattle herd in Rio Grande do Sul, Brazil, and characterizes the epidemiological, pathological, and immunohistochemical findings. The herd experienced one abortion and the loss of ten calves, all of which were born weak and died within three days. Two neonates were necropsied, revealing pale myocardial areas extending from the visceral pericardium to the endocardium. Histological analysis revealed multifocal myocardial fibrosis and cardiomyocyte necrosis, as well as vacuolization of the cerebral white matter. Masson’s trichrome staining highlighted myocardial interstitial fibrosis, and anti-troponin C immunohistochemistry showed decreased or absent labeling in necrotic cardiac fibers. Polymerase chain reaction (PCR) testing for bovine viral diarrhea virus and Neospora caninum was negative. The presence of numerous sprouting A. glazioveana specimens in the pasture, with evidence of consumption and compatible lesions, supported the diagnosis. This report emphasizes A. glazioveana as a cause of reproductive losses and neonatal mortality in endemic regions, particularly during the plant sprouting phase.

Abstract in Portuguese:

Ateleia glazioveana (Leg. Papilionoideae) é uma planta cardiotóxica amplamente distribuída no Sul do Brasil, onde surtos esporádicos de intoxicação têm sido relatados em bovinos. Embora a mortalidade neonatal seja um desfecho clínico descrito na espécie, dados epidemiológicos detalhados e lesões associadas a essa forma de intoxicação ainda são escassos. Este estudo descreve um surto de mortalidade neonatal em um rebanho bovino de corte no Rio Grande do Sul, Brasil, e caracteriza os achados epidemiológicos, patológicos e imuno-histoquímicos. O rebanho apresentou um aborto e dez casos de bezerros nascidos fracos e que morreram dentro de três dias após o nascimento. Dois desses bezerros neonatos foram necropsiados e observou-se áreas pálidas no miocárdio, estendendo-se do pericárdio visceral ao endocárdio. Na análise histológica, observaram-se fibrose miocárdica multifocal e necrose de cardiomiócitos, além de vacuolização da substância branca no encéfalo. A coloração de tricrômico de Masson evidenciou fibrose intersticial cardíaca, e a análise imuno-histoquímica anti-troponina C demonstrou redução ou ausência de marcação em fibras cardíacas necróticas. Os testes de reação em cadeia da polimerase (PCR) para vírus da diarreia viral bovina e Neospora caninum foram negativos. A presença de numerosos exemplares de A. glazioveana em fase de brotação na pastagem, com evidência de consumo, associada às lesões compatíveis, suportou o diagnóstico. Este relato enfatiza A. glazioveana como causa de perdas reprodutivas e mortalidade neonatal em regiões endêmicas, especialmente durante períodos de brotação da planta.


#2 - Neonatal mortality associated with sodium monofluoracetate in kids fed with colostrum from goats ingesting Amorimia septentrionalis

Abstract in English:

Sudden deaths after colostrum ingestion in kids and lambs born to mothers grazing in areas with Amorimia septentrionalis have been reported in the Brazilian northeastern semi-arid region, in Paraíba state. This study aimed to determine whether the sodium monofluoracetate (MF) contained in A. septentrionalis is eliminated in milk, causing the death of kids. After confirming gestation on the 25th day after mating, 26 goats were randomly distributed into three groups. In Group 1, eight goats received fresh leaves of A. septentrionalis in daily doses of 1g/kg body weight, administered at three different periods during gestation: from days 91 to 100, 116 to 125, and from day 140 until delivery day. In Group 2, consisting of 10 females, eight goats received 1g/kg body weight of A. septentrionalis dried and milled leaves, fed daily from the 140th day of gestation until delivery. The other two goats of this group did not ingest the plant during gestation and after delivery the colostrum supplied to their kids was replaced by colostrum of goats from that same group that had ingested the plant. Eight goats from Group 3 (control) did not ingest A. septentrionalis. Seven goats from Group 1 showed signs of poisoning from 2nd to 8th days of plant administration, in all periods, and recovered within 7 to 12 days. Another goat presented severe clinical signs and was submitted to euthanasia in extremis. Two goats aborted. Four kids, from two goats, received colostrum and, after 15 minutes, presented depression, breathing wheezing, lateral recumbence, bleating, and death. Two goats gave birth at night; the two kids were found dead and, at necropsy, it was verified that they were born alive. The last goat in this group gave birth to two kids which showed no signs of poisoning after colostrum ingestion. In Group 2, the eight goats that ingested dry leaves of the plant presented tachycardia and engorgement of the jugular veins; six aborted, and the kids of the other two goats died immediately after delivery without ingesting colostrum. The three kids of the two goats that did not ingest the plant during gestation did not show signs of poisoning after ingesting colostrum from the goats that had ingested the plant. In Group 3, all females kidded normally and the kids showed no signs of poisoning. Ten leaf samples of A. septentrionalis contained 0.00074% ±0.00018 MF. These results demonstrate that the MF of A. septentrionalis is eliminated in colostrum and may cause the death of kids. As in previous reports, the plant also caused abortion.

Abstract in Portuguese:

Mortes súbitas, após a ingestão do colostro, em cabritos e cordeiros nascidos de mães que pastejam em áreas com Amorimia septentrionalis são relatadas no semiárido da Paraíba. O objetivo deste trabalho foi determinar se o monofluoracetato de sódio (MF) contido em Amorimia septentrionalis é eliminado pelo leite, causando a morte dos cabritos. Após a confirmação da gestação no 25º dia após a cobertura, 26 cabras foram aleatoriamente distribuídas em três grupos. No Grupo 1, oito cabras receberam folhas frescas de A. septentrionalis em doses diárias de 1g/kg de peso vivo, administradas em três períodos diferentes durante a gestação: entre os dias 91 a 100, 116 a 125 e do 140º dia até o parto. No Grupo 2, composto por 10 fêmeas, oito cabras receberam 1g/kg de peso vivo de folhas secas e trituradas de A. septentrionalis, fornecida diariamente do 140º dia de gestação até o parto. As outras duas cabras desse grupo não ingeriram a planta durante a gestação e, ao parirem, o colostro fornecido aos seus cabritos foi substituído pelo colostro de cabras, desse mesmo grupo, que ingeriram a planta. Oito cabras do Grupo 3 (controle) não ingeriram A. septentrionalis. Sete cabras do Grupo 1 apresentaram sinais de intoxicação entre o 2º e 8º dia de administração da planta, em todos os períodos, e se recuperavam em 7 a 12 dias. Outra apresentou sinais clínicos graves e foi eutanasiada in extremis. Duas cabras abortaram. Quatro cabritos, oriundos de duas cabras, receberam colostro e, após 15 minutos, apresentaram depressão, respiração ofegante, decúbito lateral, berros e morte. Dois cabritos, nascidos de duas cabras que pariram durante a noite, foram encontrados mortos e os achados de necropsia permitem afirmar que nasceram vivos. A outra cabra desse grupo pariu dois cabritos que, mesmo mamando o colostro, não apresentaram sinais de intoxicação. No Grupo 2, as oito cabras que ingeriram a planta seca apresentaram taquicardia e ingurgitamento das veias jugulares; seis abortaram e os cabritos das outras duas morreram imediatamente após o parto, sem ingerir colostro. Os três filhotes das duas cabras que não ingeriram a planta durante a gestação não apresentaram sinais de intoxicação após ter ingerido colostro das cabras que tinham ingerido a planta. No Grupo 3, todas as fêmeas pariram normalmente e os filhotes não apresentaram sinais de intoxicação. Dez amostras de folhas de A. septentrionalis continham 0,00074% ±0,00018 de MF. Estes resultados demonstram que o MF de A. septentrionalis, além de causar abortos, é eliminado pelo colostro podendo causar a morte dos cabritos.


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